Especialistas da XP Investimentos afirmam que a redução do dólar e a ascensão recente do real justificam a diminuição da inflação a curto prazo. O valor médio da moeda americana no primeiro semestre de 2025 foi de R$ 5,75, inferior à projeção de R$ 6 da corretora.
A empresa estima que o efeito da taxa de câmbio foi de 0,57 pontos percentuais (p.p) na inflação de bens industriais e de 0,13 p.p na inflação total do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Conforme os entendidos, a suposição equivocada sobre o dólar resultou em projeções mais altas.
Conforme relatório publicado pela corretora, uma desvalorização de 10% da taxa de câmbio resulta em uma elevação de 0,62 p.p na inflação de bens industriais em quatro trimestres.
Governo Pode Contestar no STF Decreto Considerado Inconstitucional do IOF, Afirma Haddad
IPCA-15: Inflação Registra Alta de 0,26% em Junho e Acumula 5,27% em 12 MesesOs especialistas criaram cinco cenários para o dólar: estável (R$ 5,60, média recente); desfavorável (R$ 6,10); intermediário (R$ 5,85); valorização moderada (R$ 5,40); e positivo (R$ 5,10).
Mesmo no cenário mais positivo da XP em relação à taxa de câmbio, a inflação se situaria entre 3,4% e 3,5% ao final de 2026. Seguindo as projeções, para que o governo consiga atingir o objetivo de 3%, o dólar teria que diminuir para R$ 4,80, algo considerado improvável.
A XP anticipa que o cenário estável será predominante entre o final de 2025 e ao longo de 2026. Levando em conta a variação cambial de 10%, o efeito estimado é de 1,32 p.p nos preços de alimentos e de 0,30 p.p para serviços, ao longo de quatro trimestres.
“A nosso ver, alcançar a meta demandaria não apenas uma taxa de câmbio mais valorizada, mas também uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica doméstica e/ou redução das expectativas inflacionárias de médio prazo”, comenta a corretora.
Fonte: Money Times
