Acordo Reduz Alíquotas do IOF, Aumenta Impostos para Bets e Encerra Isenção de IR em LCIs e LCAs

Foi acordado entre o Governo Federal e as lideranças do Congresso que será feita uma revisão no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A compensação virá por meio do aumento de tributação para as apostas e o término das isenções fiscais nos investimentos.

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revelou após uma reunião de seis horas no último domingo que uma série de ações será explicada nesta segunda-feira. Ele descreveu a reunião como “marcante, transparente e direta”.

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“Vou dividir em quatro tópicos. Um deles é a Medida Provisória que vai regular certos assuntos de arrecadação, focada no mercado, arrecadação e assuntos relacionados. Amanhã falaremos sobre o tema das apostas. Apresentaremos os primeiros resultados levantados. A proposta inicial era elevar para 18%. Essa MP nos permitirá ajustar o decreto do IOF, reduzindo as alíquotas do decreto original”, afirmou Haddad.

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No pacote acordado, além da tributação das apostas, também estão previstas mudanças na tributação de instituições financeiras e a imposição de 5% de Imposto de Renda sobre títulos atualmente isentos, como LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito Agrícola).

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Também está previsto que o governo apresentará um projeto de lei complementar com cortes estimados em 10% em isenções fiscais, em um modelo que ainda será discutido com o Congresso. O impacto final das medidas na previsão inicial de arrecadação de R$ 21 bilhões ao aumentar o IOF não foi apresentado.

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“O governo todo sabe que esse decreto do IOF causou grande desconforto no Congresso Nacional, tanto na Câmara quanto no Senado, e o ambiente se tornou muito hostil a essa medida. Colocamos que essa medida precisava ser revista. É importante ressaltar que isso só foi possível graças ao trabalho conjunto que fizemos com o Ministério da Fazenda para resolver a situação das contas públicas de 2025”, disse o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos).

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“Desejamos um futuro próspero, almejamos o equilíbrio das contas públicas, reduzir as despesas do Estado brasileiro, mas desejamos rever os benefícios e administrar tudo o que for viável”, comentou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil).

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Menor arrecadação com IOF

Em uma conversa com a imprensa após a reunião, Haddad explicou que a principal alteração no IOF será a diminuição sobre a operação de “risco sacado”, que ocorre quando pequenos e médios fornecedores obtêm empréstimos bancários tendo como garantia vendas realizadas a grandes empresas.

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“O risco sacado será o IOF mais impactado pela MP. A parte fixa do risco sacado será eliminada e a cobrança diária será recalibrada para manter a consistência com todo o sistema de crédito como é tributado atualmente”, disse Haddad.

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Prevê-se que as mudanças resultem em uma arrecadação com o IOF em 2025 em torno de R$ 7 bilhões. A estimativa inicial do governo em 22 de maio era cerca de R$ 21 bilhões.

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Maior tributação para as apostas

O acordo estipula o aumento da tributação das casas de apostas online, conhecidas como bets. A decisão elevará de 12% para 18% a taxa sobre a receita bruta dessas empresas.

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A nova arrecadação é, na verdade, o restabelecimento da ideia original do Ministério da Fazenda ao regulamentar esse mercado em 2024. O projeto previa o Faturamento Bruto de Jogos (GGR) de 18%, mas foi reduzido pelos deputados e senadores. Desde então, a discussão sobre o aumento de fraudes esportivas e superendividamento das famílias ganhou força na sociedade, tornando a taxa maior mais aceitável no Congresso.

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“O GGR é a diferença entre o valor pago em prêmios e o montante arrecadado em apostas. Os 18% eram nossa alíquota original”, afirmou o ministro.

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IR sobre títulos isentos e aumento de CSLL

A MP prevista no acordo tributará os títulos atualmente isentos, como LCAs e LCIs, com uma alíquota de 5%. Haddad explicou que, ainda assim, a alíquota aplicada a esses títulos será menor do que a de outros investimentos.

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“Os títulos deixarão de ser isentos, mas continuarão a ser altamente incentivados. A isenção gerava distorções, inclusive na rolagem da dívida pública. A diferença entre zero, como é atualmente, e 17,5%, de outros títulos, será reduzida. Será de 5%. Todos os isentos passarão a ter essa taxação”, disse.

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A tentativa de tributação nas LCIs e LCAs não é nova e já foi tentada sem sucesso pelos três últimos presidentes: Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.

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“As alíquotas dos bancos e de todas as instituições financeiras se aproximarão. Atualmente, elas pagam três alíquotas, referentes à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. A de 9% não existirá mais. Será de 15% ou 20%”, afirmou Haddad.

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Revisão de 10% das isenções

A reunião deste domingo estabeleceu também um compromisso entre o Governo Federal e o Congresso na revisão de 10% das isenções fiscais que não estão previstas na Constituição, com impacto a partir de 2026. Estimativas da Fazenda indicam que as isenções custam R$ 800 bilhões por ano.

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“No que diz respeito ao gasto primário, temos muitas medidas já encaminhadas ao Congresso. Algumas estão em tramitação. Outras foram consideradas por alguns parlamentares, mas não representavam a totalidade. Então decidimos realizar uma nova reunião sobre o gasto primário, já com o retorno das bancadas”, explicou Haddad.

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, apoiou a revisão dos “gastos tributários” em uma entrevista após o encontro, indicando que essa medida ainda depende de mais negociações com os partidos.

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“Todos reconhecemos que o governo está concedendo um grande número dessas isenções, atingindo um nível insustentável para o país manter essas isenções crescentes a cada ano”, disse Motta.

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Fonte: Money Times

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